Paulo R. F. Cunha é diretor do CIn/UFPE

Trinta anos se passaram desde que a primeira turma de estudantes foi formada no, então, bacharelado em informática na Universidade Federal de Pernambuco. De lá para cá, muita coisa mudou e nós, que iniciamos um perfil profissional diferenciado em tecnologia da informação no nosso Estado, nos perguntamos sempre: o que melhorou para o mercado de trabalho e para a sociedade com o avanço da computação? Até que ponto nós do CIn somos responsáveis por esse progresso?

Na década de 70, no início dos cursos voltados para a informática em Pernambuco, os alunos não sabiam sequer o nome da profissão que iriam exercer. Ainda sem definição de como iriam atuar no mercado de trabalho e sem uma nomenclatura definida sobre essa nova atividade, era certo que este novo mercado precisava de pessoas em áreas, como a na época recém-surgida automação bancária, que absorveu rapidamente a incipiente mão de obra que estava sendo educada no País. Prova disso é que em 1979, todos os alunos formados na primeira turma em informática da UFPE saíram da universidade empregados.
 
Não foram apenas os avanços da tecnologia que mudaram na informática durante esse período, mas também os profissionais que sempre se adaptaram as novidades constantes da profissão. Desbravadores daquela época, os mais antigos bacharéis da computação são os que ajudaram a fazer com que a informática praticada em Pernambuco se tornasse hoje uma das mais avançadas do Brasil.
Para acompanhar as mudanças e fornecer uma formação de excelência, o CIn evoluiu bastante com o passar dos anos. Atualmente, é um dos mais renomados centros do Brasil e da América Latina, formador de grande parte da mão de obra qualificada em tecnologia da informação e comunicação (TIC) do País, além de ser uma instituição fundamental ao crescente mercado da tecnologia em Pernambuco. Mas todo esse sucesso não é resultado do acaso. Foi necessário muito planejamento, trabalho e dedicação para o CIn conseguir ocupar o lugar em que se encontra hoje.
 
Tudo começou em 1975, quando foi implantado o curso de graduação em ciência da computação no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). No início da década de 80, surge o embrião do CIn, o Departamento de Informática (DI). Em 1999, o DI deixa de pertencer ao CCEN e é alçado à condição de Centro de Informática, sendo considerado no mesmo nível de hierarquia dos outros centros da UFPE. Se Pernambuco é hoje um dos principais polos de tecnologia do Brasil, a origem disso está em um núcleo de pesquisa universitário preocupado em desenvolver tecnologia com aplicações práticas, que atendesse às necessidades das empresas e da sociedade em geral.
 
Os cursos de graduação e de pós-graduação do Centro de Informática da UFPE são reconhecidamente de excelência. Mais de três décadas após sua criação, a graduação em ciência da computação do CIn já formou mais de 1.500 bacharéis em computação. Avaliado como excelente pelo Ministério da Educação (MEC), o curso já ganhou mais de cinco vezes cinco estrelas na revista Guia do Estudante Melhores Universidades, publicação da Editora Abril. Em 2002, a partir do novo cenário que se formou nas áreas de eletrônica e computação, surgiu o curso de graduação em engenharia da computação, uma parceria do CIn com o Departamento de Eletrônica e Sistemas (DES) do Centro de Tecnologia e Geociências da UFPE (CTG). E em 2010, será iniciada a primeira turma de graduação em sistemas de informação do CIn na UFPE. Mais uma prova da preocupação do centro em formar mão de obra de acordo com as necessidades exigidas pelo mercado.
 
Podemos esperar para o futuro enormes avanços tecnológicos nas áreas de informação e comunicação, independente da crise econômica que apareça. O ritmo das mudanças é frenético, e o CIn da UFPE busca acompanhar estes avanços, melhorando e se aprimorando sempre, para continuar sendo um centro de referência e excelência em ensino e pesquisa, oferecendo o melhor para seus alunos, corpo docente, funcionários e todos os membros da família CIn, e procurando sempre marcar e atuar positivamente na vida de quem passa pela nossa comunidade. Que venham os próximos trinta anos!
 
Fonte: Jornal do Commercio de 04/09/2009
 

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