A presença feminina no CIn cresceu durante os últimos anos através da rede de apoio

Em 2018, a professora do Centro de Informática (CIn) da UFPE Carla Silva conduziu a criação do grupo de mulheres do Centro, o Cintia – Grupo de Ciência e Tecnologia da Informação com Elas. O objetivo é de constituir uma rede de apoio entre todas as alunas e professoras para estimular a participação feminina nas áreas da ciência, tecnologia e computação. A iniciativa já promoveu ações como oficinas de programação realizadas para alunas da rede pública de ensino, workshops de criação de aplicativos, hackathons focados no público feminino, palestras, talks e encontros para discutir as mulheres na ciência e retomará suas atividades de forma mais intensa em 2022. Durante os dois últimos anos, em razão da pandemia de COVID-19, as atividades do grupo foram mais pontuais e sempre em formato virtual.

No entanto, o podcast Somos Cintia, disponível em todas as plataformas de streaming, teve novos episódios mesmo durante a pandemia de COVID-19 e já totaliza 39 episódios em duas temporadas. O programa promove discussões para divulgar as atividades profissionais das mulheres do Cintia, mas também de outras instituições, e também para atrair mais pessoas para a área de computação.

A presença feminina na tecnologia é historicamente bem conhecida. Mulheres foram pioneiras na área de computação. Muitos fundamentos e conceitos da computação, em uso até hoje, foram criados por mulheres. Nas décadas de 1950-1960, por exemplo, mulheres eram conhecidas como “computadores humanos”. No entanto, nas décadas seguintes, a representatividade feminina em computação começou a diminuir. Estereótipos como o nerd, o “menino da TI”, o programador inteligente que passa suas noites escrevendo código, que surgiram já nas décadas de 1970-1980 e ainda são reforçados pela cultura pop, ajudam a criar a ideia de que a área de computação não é para mulheres. Dessa forma, o Cintia surgiu no Centro também para aumentar a representatividade feminina no meio acadêmico e atrair mais mulheres para esta área, que é a que mais oferece oportunidades de estudo e trabalho no mercado local, nacional e internacional.

“Dentro das grandes universidades há um desconhecimento quanto às barreiras colocadas diariamente sobre a experiência das mulheres na área da computação. A necessidade constante de provar sua capacidade, as piadas e os preconceitos, o medo de não ser aceita, de abusos e assédios, e o apagamento histórico de suas antecessoras são relatados por quem produz e participa do programa”, explica a coordenadora do grupo e professora Carla. O objetivo de colocar as mulheres do CIn em evidência tem sido mantido e alcançado desde sua criação. Estar em contato e interagir com quem compartilha vivências parecidas com a sua promove a sensação de pertencimento, pois as meninas se vêem representadas umas nas outras e nos exemplos daquelas que conseguiram conquistar posições de destaque no setor.

Desde 2019, houve um aumento no número de alunas no Centro de Informática, de 9% para aproximadamente 16% hoje em dia, sendo 204 dos cursos de graduação e 124 da pós-graduação. O relatório Women in Technology 2021, elaborado em uma parceria entre a Technology by PageGroup e a Hub Leaders, mostra que apenas 30% dos cargos de liderança na indústria de tecnologia da América Latina são ocupados por mulheres. Especificamente no Brasil, a ausência de mulheres em cargos de liderança é de 60%. É para quebrar essa barreira de gênero que empresas têm implantado estratégias de incentivo à contratação de mulheres, incluindo a colaboração com instituições de ensino no intuito de estimular o ingresso de mais mulheres em cursos da área.

Esses grupos de conexão entre mulheres na área da tecnologia são incentivados pelo projeto Meninas Digitais da Sociedade Brasileira de Computação, que conta com mais de 100 projetos cadastrados e oriundos de várias regiões do país.
Esses projetos são fundamentais para contribuir para o aumento da presença feminina, colocar em pauta suas questões específicas, discuti-las e propor mudanças. Uma maior diversidade nos ambientes acadêmico e profissional possibilita novos olhares para solucionar problemas e desenvolver serviços e produtos mais compatíveis com a população, além de promover a valorização de habilidades especialmente fortes das mulheres. O aumento e a permanência de mulheres nesses espaços mostra para as meninas um caminho aberto e repleto de aliadas.

A egressa do CIn Laís Xavier, por exemplo, é a primeira presidente mulher nos 40 anos de existência da Assespro PE/PB. Além de Laís, que é CEO da Mídias Educativas, CTO da Muda Meu Mundo e mestre em Ciência da Computação pelo Centro, mais seis mulheres integram a diretoria da gestão 2021/2022. “Aos poucos, as mulheres estão ocupando mais espaço no mercado de trabalho de tecnologia. Apenas 26% das empresas latinoamericanas possuem programas de retenção e atração de talentos femininos”, comenta Laís.

Mulheres no Ecossistema de Inovação do Estado

Dentro do ecossistema de tecnologia de Pernambuco há outros grupos de mulheres semelhantes ao Cintia. No Porto Digital, por exemplo, o Mulheres em Inovação, Negócios e Artes (MINAs) é um programa de equidade de gênero preocupado com a atração e a permanência de mulheres nas áreas de inovação tecnológica e de empreendedorismo. Com base nisso, o MINAs tenta desmistificar a ideia de que tecnologia não é “lugar de mulher” e estimular o fim do abismo entre os gêneros nos programas desenvolvidos no Porto Digital desde 2018, quando foi criado.

A Universidade Católica de Pernambuco é outra instituição de ensino que também conta com um grupo de mulheres, o Coletivo Unicas, formado pelas alunas. Várias empresas do ecossistema do Porto Digital desenvolvem programas de inclusão de mulheres através da oferta de benefícios para diversificar as suas contratações de capital humano.

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