Em sua primeira participação na competição, o RobôCIn, grupo de estudos e desenvolvimento em robótica do Centro de Informática (CIn) da UFPE, ocupou o terceiro e quarto lugar da RoboCup 2019, na série B da Small Size League (SSL), empatando com o time ULtron do Canadá. Dessa forma, o grupo do CIn-UFPE é a segunda melhor equipe brasileira na categoria, ficando atrás apenas da RobolME. Já na categoria Simulation 2D, o RobôCIn se estabeleceu como a melhor equipe nacional, ocupando o nono lugar da competição mundial de robótica. 

A RoboCup 2019 ocorreu em Sydney, Austrália, entre os dias 2 e 8 de julho. Essa é a principal competição de robôs autônomos do mundo e é organizada pela RoboCup Federation em parceria com a Universidade de Nova Gales do Sul de Sydney e a RoboCup Junior Australia. O mundial ocorre há mais de 20 anos e tem como objetivo desenvolver, até a metade do século XXI, uma equipe de robôs humanóides autônomos capazes de ganhar uma partida de futebol contra a última equipe humana ganhadora da Copa do Mundo da FIFA.

Na competição mundial, o time do RobôCIn para a categoria SSL foi composto por Lucas Cavalcanti, João Gabriel Machado, Victor Sabino, Cecília Virgínia, Felipe Martins, Roberto Fernandes, Renato Sousa e Heitor Rapela. Já na modalidade Simulação 2D por Cristiano Santos, Walber de Macedo, Matheus Gonçalves, Marvson Allan e Lucas Santana. A professora Edna Barros acompanhou o RobôCIn na Austrália e é uma das orientadoras do grupo de estudos.

O RobôCIn também foi uma das três equipes que recebeu o Most Improved Award na RoboCup. A honraria é dada aos times que se destacam por seu desempenho e superam as expectativas. Para Juliana Damurie, integrante do grupo, a importância em estar entre essas três equipes é ainda maior, se for considerado o curto período em que o RobôCIn começou a participar de competições nacionais e latino americanas de robótica, se comparado aos demais participantes da RoboCup.

Trajetórias de avanços

Criado por um grupo de alunos do CIn-UFPE em 2015, o RobôCIn tem o objetivo de ampliar o conhecimento em soluções práticas e inteligentes e também competir na área de robótica. Em poucos anos, a equipe se tornou destaque a partir do comprometimento dos estudantes. Os alunos participaram de competições nacionais, como a Iron Cup 2018 e 2019, obtendo o terceiro lugar na categoria very small size, e latino americanas, como a Competição Latino Americana de Robótica (LARC) dos anos de 2016, 2017 e 2018, ficando em terceiro lugar na categoria very small size nesta última edição.

Lucas Cavalcanti, um dos criadores e atual gerente do RobôCIn, acredita que não é possível mensurar em dados exatos o quanto a equipe cresceu nos últimos anos, mas ressalta o bom funcionamento. “A gente já se tornou uma equipe competitiva e que todo mundo tá de olho, que os organizadores [da RoboCup] mesmo falaram ‘ah, vocês tão muito bem, vocês são favoritos para ganhar no próximo ano’. Isso traz um sentimento de satisfação para toda equipe. Saber que o trabalho que a gente faz lá no Brasil é competitivo, é bom e comparável ao mundo todo”.

Heitor Rapela, mestrando em Ciência da Computação e integrante do RobôCIn, está na equipe desde 2015 e acredita que a participação na RoboCup foi um grande passo para o grupo. “Voltamos para casa com vários aprendizados que vamos botar em prática com o resto da equipe, e vamos ir com tudo para os próximos desafios. Estamos contentes com os resultados, e acreditamos que conseguimos atingir nossos objetivos. O primeiro lugar pode ainda não ter chegado, mas o reconhecimento do trabalho bem feito que levou grandes equipes a assistirem nossos jogos foi gratificante”.

Para chegar até a RoboCup na Austrália, o RobôCIn contou com o auxílio financeiro através da vaquinha virtual, que atingiu cerca de 28% da meta. Além disso, também recebeu patrocínio do CIn-UFPE e das empresas Neurotech, InLoco, In Forma, HSBS, Lierre, e CI. Lucas Cavalcanti afirma que o RobôCIn representou também todos os seus apoiadores na RoboCup e destaca um sentimento coletivo. “Mais feliz a gente tá por mostrar para os apoiadores que podem confiar nesse trabalho porque a gente tá fazendo certo pro mundo todo”.

Segundo Lucas, a participação na RoboCup traz uma contribuição que vai além da área acadêmica, alcançando também as esferas profissionais e pessoais. Ele avalia que a principal característica que fica é a “certificação, uma certeza de que a gente está aprendendo e estudando o que é relevante no mundo todo”.

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