Em conjunto com a The Blockhouse Technology Limited, iniciativa vai ser realizada ao longo de quatro anos, com a participação de alunos da pós-graduação e do professor Augusto Sampaio

O Centro de Informática (CIn) da UFPE, em parceria com a empresa inglesa The Blockhouse Technology Limited (TBTL), vai desenvolver um projeto na área de Smart Contracts (ou Contratos Inteligentes). A iniciativa de cooperação, que tem duração prevista para quatro anos, vai contar com a contribuição do CIn por meio do know-how em modelagem, verificação e implementação de sistemas críticos, utilizando técnicas de verificação formal, aplicadas a este novo paradigma de Contratos Inteligentes. Para tanto, participam do projeto o professor Augusto Sampaio e alunos de mestrado e doutorado, representados atualmente pelos estudantes Bruno Medeiros, Davi Cabral e Juliandson Ferreira. Por parte da TBTL, colaboram os pesquisadores Andrew William Roscoe e Pedro Antonino.

O objetivo central do projeto é desenvolver linguagens, processos, técnicas e ferramentas para suportar o ciclo de vida de Contratos Inteligentes, utilizados para automatizar, digitalmente, acordos entre participantes, sem a necessidade de um intermediário. A ferramenta pode ser aplicada em diversas áreas, como financiamentos, mercado imobiliário, registros de saúde de pacientes, seguros, rastreabilidade em cadeias de suprimentos, entre outras. Estes contratos são armazenados e executados por meio da tecnologia blockchain. 

Problemas com a programação de tais contratos, incluindo vulnerabilidades que permitem ataques maliciosos, têm causado prejuízos significativos e insegurança entre partes interessadas em realizar alguma transação. O projeto em questão visa contribuir exatamente nesta direção, assegurando que os contratos preservem as propriedades desejadas, expressas como requisitos, desde sua criação e instalação inicial na blockchain, mas também durante toda a sua evolução. Aspectos não funcionais, como economia de gás em transações na blockchain, com garantia de preservação de funcionalidade, também estão no escopo do projeto. Trata-se de um novo paradigma computacional e as linguagens, técnicas e ferramentas de engenharia de software existentes não oferecem o suporte adequado para a evolução segura de tais contratos. 

“Os debates em torno dos Contratos Inteligentes em blockchains são de grande interesse internacional, com milhares de pessoas envolvidas em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação ao redor do mundo. Dessa forma, avançar o estado da arte e da prática neste assunto, evitando colisão de escopo com outros grupos, é um grande desafio”, explica o professor Augusto. 

É esperado como produto final da parceria entre o CIn e a TBTL um framework que incluirá linguagens, processos, técnicas e ferramentas para suportar o desenvolvedor na programação e evolução de smart contracts em blockchains, assegurando a preservação dos requisitos da aplicação.

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