Pós-Graduação em Ciência da Computação – UFPE
Defesa de Dissertação de Mestrado Nº  2.306

Aluna: Camila Siqueira Lins
Orientadora: Profa. Teresa Bernarda Ludermir
Coorientador: Prof. Túlio de Lima Campos (FIOCRUZ-PE)
Título: Explicabilidade em Aprendizado de Máquina Genômico: Investigando o 
Sinal Aprendido em Variantes do Câncer de Mama
Data: 31/07/2026
Hora/Local: 8h – Virtual
Banca Examinadora:
Prof. Cleber Zanchettin  (UFPE / Centro de Informática)
Prof. João Luiz de Lemos Padilha Pitta (Instituto Aggeu Magalhães/FIOCRUZ-PE – Departamento de Bioinformática)
Prof. Leandro Maciel Almeida  (UFPE / Centro de Informática)


RESUMO:

O câncer de mama é uma das neoplasias mais incidentes entre mulheres e 
apresenta acentuada heterogeneidade molecular, o que o torna um domínio 
relevante para a aplicação de métodos de aprendizado de máquina em dados 
genômicos de alta dimensionalidade. Esta dissertação investiga, sob a ótica 
da Inteligência Artificial Explicável (Explainable Artificial Intelligence 
— XAI), quais sinais são efetivamente aprendidos por modelos treinados 
sobre variantes pontuais extraídas de arquivos Variant Call Format (VCF) 
tumorais da coorte TCGA-BRCA. Para isso, foi construída uma matriz binária 
paciente × variante a partir de 753 pacientes e 3.418.381 variantes, 
posteriormente reduzida por filtros de recorrência e seleção de atributos 
baseada em regressão logística com penalização L1 (Least Absolute Shrinkage 
and Selection Operator — LASSO). Foram comparados dois cenários de 
classificação: subtipos moleculares de câncer de mama e raça/cor 
autodeclarada. Quatro classificadores foram utilizados, sendo eles o 
Support Vector Machine (SVM) linear, Árvore de Decisão, Random Forest e 
XGBoost, e em seguida foram avaliados por métricas que incluem o F1-score 
macro, balanced accuracy e ROC-AUC. As decisões dos modelos foram 
analisadas com SHapley Additive exPlanations (SHAP), análise de componentes 
principais (Principal Component Analysis — PCA) e anotação funcional pelo 
Variant Effect Predictor (VEP).
Os resultados indicaram que os modelos não discriminaram os subtipos 
moleculares de forma robusta, com F1-score macro inferior a 0,35, sugerindo 
que variantes pontuais isoladas não capturam adequadamente a complexidade 
molecular desses subtipos. Em contraste, a classificação de raça/cor 
autodeclarada apresentou alto desempenho a partir de um conjunto reduzido 
de 15 variantes, com melhor resultado obtido pelo SVM linear no conjunto de 
teste (F1 = 0,90; ROC-AUC = 0,96). A análise explicável mostrou que esse 
sinal converge para um núcleo estável de variantes, com destaque para 
chrX_49323806_C>A, variante com alta frequência em populações africanas no 
gnomAD. Além disso, a anotação funcional indicou predominância de variantes 
de baixo impacto funcional, sugerindo que o padrão aprendido pelos modelos 
pode refletir estrutura populacional, origem germinativa residual ou 
artefatos técnicos, mais do que mecanismos tumorais diretamente associados 
aos subtipos moleculares. Os resultados demonstram que a explicabilidade é 
indispensável em pipelines de aprendizado de máquina aplicados à genômica 
do câncer, pois permite distinguir sinais potencialmente relacionados à 
biologia tumoral de sinais associados a estrutura populacional ou técnico. 
Ao evidenciar que modelos de alta performance podem aprender padrões não 
causais presentes nos dados, o trabalho reforça a necessidade de 
interpretação crítica, validação biológica e cautela contra leituras 
essencialistas em estudos genômicos baseados em inteligência artificial.

Palavras-chave: Inteligência Artificial Explicável (XAI). SHAP. Aprendizado 
de Máquina. Genômica do Câncer. Câncer de mama. Seleção de Atributos.

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