Pós-Graduação em Ciência da Computação – UFPE
Defesa de Tese de Doutorado Nº 707
Aluno: Mayara Benício de Barros Souza
Orientador: Prof. Fabio Queda Bueno da Silva
Título: INTERDEPENDÊNCIA DE TAREFAS EM EQUIPES DE DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE: TEORIA E PRÁTICA
Data: 06/08/2026
Hora/Local: 9h – Virtual – Interessados em assistir entrar em contato com a aluna
Banca Examinadora:
Prof. Hermano Perrelli de Moura (UFPE / Centro de Informática)
Profa. Patricia Cabral de Azevedo Restelli Tedesco (UFPE / Centro de Informática)
Prof. Marcos Kalinowski (PUC-RJ/Departamento de Informática)
Prof. Guilherme Horta Travassos (UFRJ/COPPE)
Prof. George Marsicano Corrêa (UnB/ Centro de Estudos, Desenvolvimento e Inovação em
Software)
RESUMO:
Contexto: A interdependência de tarefas é uma característica essencial do design de trabalho em equipes de desenvolvimento de software, influenciando diretamente aspectos humanos e técnicos, como a coordenação, a autonomia, a motivação e as relações interpessoais. Embora reconhecida pela literatura, sua compreensão ainda é limitada na engenharia de software, especialmente no que diz respeito às interações com outras formas de interdependência.
Objetivo: Desenvolver um modelo que articule a interdependência de tarefas com as interdependências social, de conhecimento e de papéis, explicando como as tarefas interdependentes são percebidas e operacionalizadas, por que seus efeitos variam entre papéis e contextos e em quais situações a interdependência pode representar tanto uma sobrecarga de coordenação quanto um recurso para a resolução de problemas. Método. Adotou-se uma abordagem qualitativa, baseada em dois estudos de caso conduzidos em equipes de engenharia de software. A coleta de dados incluiu 32 entrevistas semiestruturadas, análise documental e observação não participante. Adicionalmente, foi realizada uma revisão sistemática da literatura com a técnica de forward snowballing para confrontar e enriquecer os achados empíricos.
Resultados: A tese propõe um Modelo Teórico para Interdependência de Tarefas na Engenharia de Software (MIT-sw), que considera a interdependência de tarefas como construto central, distinguindo entre interdependência estrutural e percebida, direções iniciada e recebida, e explicitando sua articulação com as interdependências social, de conhecimento e de papéis. Seis proposições refinadas especificam como a visibilidade, o tipo de autonomia, a rotatividade, a especialização, o suporte social, a liderança, o direcionamento da expertise e a previsibilidade das entregas condicionam o esforço de coordenação, as experiências afetivas e os resultados de desempenho. Os achados explicam como a simetria perceptiva reduz a tensão no lado receptor da interdependência, por que a urgência persiste no lado iniciador e como a interdependência de conhecimento pode transformar demandas de coordenação em capacidade coletiva de resolução de problemas.
Conclusão: O MIT-sw contribui para a teoria por manter a interdependência de tarefas como construto central e mostrar de que forma ela se articula com as interdependências social, de conhecimento e de papéis no desenvolvimento de software. No plano prático, o modelo orienta o desenho do trabalho ao indicar quando tornar visível a direcionalidade das interdependências, quando ampliar a autonomia de planejamento sem abrir mão da priorização gerencial e como sustentar a simetria perceptiva em equipes distribuídas, como as observadas nos dois casos analisados.
Palavras-chave: interdependência de tarefas; simetria perceptiva; design de trabalho; desenvolvimento de software; estudo de caso qualitativo; revisão sistemática da literatura.
Comentários desativados