Acionada durante as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, plataforma agora abre captação para parlamentares, gestores públicos, universidades, empresas com agenda ESG e cidadãos
O ex-aluno do curso de Ciência da Computação do Centro de Informática (CIn) da UFPE, Rafael Leão, criou uma iniciativa solidária voltada ao auxílio a pessoas em situação de insegurança alimentar. A plataforma “MapaFome” foi criada em 2022 e funciona por meio do cadastramento de locais onde há a necessidade de entrega de alimentos, seja por pessoas físicas ou instituições parceiras, de forma gratuita.
Em quatro anos de operação contínua, a plataforma segue em expansão, conectando doadores a pessoas em situação de vulnerabilidade em diversos pontos do Brasil. Em 2022, o projeto teve destaque nacional por uma reportagem apresentada pelo Jornal Hoje, da TV Globo. Durante as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, o MapaFome foi acionado por voluntários como forma de auxílio às vítimas da catástrofe. Agora, o objetivo é ampliar a rede de parceiros institucionais para consolidar a sustentabilidade financeira de médio e longo prazo.
Surgimento
Rafael explica que a plataforma surgiu com o intuito de democratizar e descentralizar a ajuda humanitária no Brasil, transformando a doação, seja de alimentos no dia a dia, seja de suprimentos em situações de emergência, em algo tão acessível quanto pedir uma entrega por aplicativo. “O MapaFome existe para encurtar a distância entre quem pode ajudar e quem precisa de ajuda, com uma tecnologia simples, gratuita e aberta a qualquer pessoa, com ou sem vínculo institucional, em qualquer cenário, do cotidiano à calamidade”, afirma.
Graduado em Ciência da Computação pelo CIn em 2022, Rafael utilizou os conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação para criar o site. Ele destaca a importância do auxílio e ensino proporcionados pelos professores Paulo Borba e Sérgio Soares, além da base tecnológica aprendida na disciplina Projetão, para a elaboração da plataforma. “Esse arcabouço metodológico, da concepção à apresentação, foi aplicado diretamente na construção do MapaFome, da estruturação do produto até a comunicação pública da iniciativa em audiências distintas, sendo elas universitárias, religiosas, parlamentares e do terceiro setor”.
A motivação para criar uma iniciativa de combate à insegurança alimentar veio ainda na adolescência. “Aos 17 anos, assisti o documentário Ilha das Flores, de Jorge Furtado, que fala sobre fome, desigualdade e dignidade humana no Brasil, que me marcou profundamente. Saí dali com uma promessa silenciosa: no dia em que tivesse capacidade técnica para tanto, lançaria algo para atender quem passa fome no país”.
Apoio
O projeto está em fase de expansão da base de apoiadores para consolidar sua sustentabilidade financeira de médio e longo prazo e ampliar sua capacidade de atendimento, tanto no enfrentamento cotidiano à insegurança alimentar quanto em situações de calamidade pública, como ocorreu na catástrofe das enchentes no Rio Grande do Sul.
A frente de captação está aberta ao poder público (parlamentares, gestores municipais e estaduais, e secretarias com pautas convergentes de segurança alimentar e proteção social); instituições de ensino e pesquisa (universidades, centros de inovação e programas de extensão); organizações da sociedade civil (igrejas, ONGs, OSCIPs e coletivos solidários); empresas com agenda ESG e programas de responsabilidade social corporativa; e pessoas físicas dispostas a contribuir com doação financeira, divulgação ou trabalho voluntário em código e operação.
Confira abaixo as formas de contribuir:
– Doação direta via PIX na chave rslgp@cin.ufpe.br, do operador Rafael Leão.
– Doação financeira via Open Collective em https://opencollective.com/mapafome, portal público de transparência onde qualquer pessoa pode auditar que cada centavo destinado ao MapaFome cobre custos de operação, sem fins lucrativos.
– Doação de alimentos diretamente aos pontos cadastrados pelo site mapafome.com.br.
– Cadastro como ponto de doação para instituições que já atuam com distribuição de alimentos.
– Cadastro como ponto de necessidade para pessoas ou famílias necessitando de alimentos.
– Divulgação em redes sociais, igrejas, escolas e ambientes profissionais.
– Contribuição em código, para quem é da área técnica, via pull request no repositório aberto em github.com/rslgp/mapafome_homolog.
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