O professor do Centro de Informática (CIn) da UFPE, Francisco Carvalho, foi citado em artigo da revista Neural Computing and Applications, periódico de alto impacto classificado como A2 pelo Qualis-CC da CAPES, como um dos 50 mais produtivos e influentes autores da área de algoritmos de agrupamento de dados (clustering algorithms) dos últimos 30 anos.  

O artigo, intitulado “Automatic clustering algorithms: a systematic review and bibliometric analysis of relevant literature”, como o próprio nome sugere, realiza uma análise bibliométrica da literatura de algoritmos de clustering, ou seja, algoritmos que aprendem a realizar tarefas sem o uso de rótulos. 

“Esses algoritmos são usados em várias outras áreas, como reconhecimento de padrões, análise de imagens, recuperação de informação, bioinformática, compressão de dados e computação gráfica,  tendo aplicações em biologia computacional , medicina, marketing, web (análise de redes sociais), informática (engenharia de software, ….), química, física, finanças, crime, etc”, explica o professor Francisco Carvalho.

Para a produção da análise sobre algoritmos de agrupamentos de dados, apenas trabalhos de 1989 a 2019 foram levados em consideração. Artigos indexados no Web of Science foram as principais fontes de dados para o estudo, que apontou os melhores periódicos que publicam artigos sobre essa área (Table 3), os autores mais produtivos e influentes (Table 4), os países mais produtivos e influentes (Table 5) e as universidades mais produtivas e influentes (Table 6). 

Para avaliação dos autores, 133 cientistas foram selecionados dentre 13.970 nomes. Destes 133, Francisco Carvalho arremata a 14ª posição dos mais produtivos e aparece entre os 50 mais influentes. Em relação aos países, o Brasil aparece como 14º mais produtivo e o 19º mais influente.

Para Francisco Carvalho, a conquista é um excelente indicativo de que todos os investimentos em ciência realizados nos últimos anos surtiram efeito. “Esse estudo é robusto, pois foi realizado em um período de 30 anos. Vemos que com os investimentos em ciência realizados pelas nossas agências de fomento, somos capazes de fazer ciência do melhor nível em todas as áreas do conhecimento”, afirmou.

Carvalho trabalha em aprendizado de máquina, com ênfase em aprendizado não-supervisionado e algoritmos de agrupamento, desde 1988 quando realizou doutorado na Université de Paris IX-Dauphine. 

“Nessa temática, coordenei projetos de pesquisa financiados por agências de fomento, formei alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado, fui professor visitante de várias universidades de primeira linha em várias partes do mundo e servi em comitês de programa de eventos da área de aprendizagem de máquina”, conta o professor. Além disso, Francisco é pesquisador 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), dentre outras diversas qualificações. 

Em 2020 passou a integrar a Academia Pernambucana de Ciências e foi classificado entre os 2% mais influentes do mundo na área de Inteligência Artificial e Processamento de Imagens em toda a carreira e no ano de 2019 (nesse ano junto com o professor Adriano Lorena, também do CIn). Já em 2021, o professor recebeu o mérito científico da Sociedade Brasileira de Computação (SBC).  

““Recebo todas essas conquistas com alegria. Para elas sempre tem algum talento envolvido, mas principalmente muito trabalho invisível e muito gosto pela ciência. Gosto sempre de lembrar que a pesquisa é uma atividade social, ninguém faz ciência sozinho. Todos esses reconhecimentos têm a participação de inúmeras instituições e parceiros. Sendo assim, essas premiações têm sua importância não só individualmente, mas para para a visibilidade das instituições onde atuo, como o Centro de Informática da UFPE, e para a ciência pernambucana e brasileira”, completou. 

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